carmella/// SINOPSE ///

ANO - 1986 /// DURAÇÃO - 140 minutos /// GÉNERO - Drama

É uma história de um grupo de homens e mulheres, aos quais podemos chamar «cómicos de la legua»* cujas peripécias, umas vezes ligadas ao picaresco, outras à tradição, outras à literatura fantástica, jocosas nalguns momentos e noutros patéticas, têm como pano de fundo a Espanha de há quatro ou cinco décadas. Os antecedentes desta série de míseras aventuras remontam já há uma série de anos, quando o avô don Arturo Galván, primeiro actor e director da companhia, nasceu numa caravana de cómicos. O desenlace tem lugar num asilo- digamos “residência” – de idosos quando o último descendente da estirpe teatral dos galvanos chega a “nenhuma parte”. Ao longo da viagem o trabalho mistura-se com o amor, os problemas económicos com os familiares, a fome com o triunfo sonhado. A personagem central, o protagonista, Carlos Galván, é filho do primeiro actor e director da companhia, don Arturo, e é pai de Carlitos, o rapaz que não quer ser cómico. E não lhe faltam razões, pois nos tempos em que se desenvolve a acção, já a rádio, o futebol e o cinema, são inimigos ferozes destes pobres cómicos ambulantes. Carlos Galván acaba por se refugiar num mundo de fantasia que, como dizem os que entendem destas coisas, também é realidade.

*«cómicos de la legua» - Antigamente dava-se este nome aos actores cómicos das companhias ambulantes e devido à má reputação desta profissão, eram obrigados a acampar a uma légua das muralhas da cidade.

/// PRÉMIOS ///

Goya 1986: Melhor filme, melhor realização e melhor guião; Sant Jordi 1986: Melhor filme

/// FICHA TÉCNICA ///

REALIZAÇÃO - Fernando Fernán-Gómez

PRODUÇÃO - Ganesh P.C. e Televisión Española

GUIÃO- Fernando Fernán-Gómez

FOTOGRAFIA - José Luis Alcaine

MÚSICA - Pedro Iturralde

CANÇÕES - "Caminemos" de Los Panchos; "Camino verde" de Alberto Pérez

DECORAÇÃO - Julio Esteban

PRODUTOR - Maribel Martín e Julián Mateos

 

/// FICHA ARTÍSTICA ///

José Sacristán /// Carlos Galván

Laura del Sol /// Juanita Plaza

Juan Diego /// Sergio Maldonado

María Luisa Ponte /// Julia Iniesta

Gabino Diego /// Carlitos

Nuria Gallardo /// Rosita del Valle

Fernando Fernán-Gómez /// Don Arturo

Queta Claver /// Doña Leona

Agustín González /// Zacarías

Miguel Ángel Rellán /// Dr. Arencibia

Emma Cohen /// Sor Martirio

 

Carlos Lemos /// Daniel Otero

Simón Andreu /// Solís

OUTROS /// Carmen Alvarado, María Álvarez, Pedro Beltrán, Alberto Bove, José María Caffarel, Antonio Gamero, Francisco Camoiras, Avelino Cánovas, Luis María Delgado, Piero Falla, Helena Fernán-Gómez, Raúl Fraire, Carmelo Gómez, Agustín Guevara, Saturnino García, Concha Hidalgo, Óscar Ladoire, Silvia Leblanc, Carmen Liaño, Julia Lorente, Cándida Losada, Ángel Martínez, Nacho Martínez, María Molero, Mónica Molina, Antonio Orengo, Carlos Piñeiro, Miguel, Rodríguez, Tina Sáinz, José Segura, Fabiola Toledo, José María Resel, Claudio Rodríguez, Francisco Torres, Francisco Villar.

///sauraaaaFERNANDO FERNÁN-GOMEZ ///

Escritor, actor, argumentista, realizador de cinema e encenador de teatro espanhol. Foi membro da Real Academia Espanhola durante sete anos, de 2000 até seu falecimento. Depois de algum trabalho escolar como actor, estudou Filosofia e Letras em Madrid, mas a sua verdadeira vocação conduziu-o ao teatro. Durante a Guerra Civil, recebeu aulas na Escola de Actores da CNT, debutando como profissional em 1938 na companhia de Laura Pinillos; ali descobriu-o Enrique Jardiel Poncela, foi quem lhe deu a sua primeira oportunidade ao oferecer-lhe, em 1940, um papel como actor secundário na sua obra, Los ladrones somos gente honrada. Três anos mais tarde contratou-o a produtora cinematográfica Cifesa e assim entrou no cinema com o filme Cristina Guzmán, realizado por Gonzalo Delgrás, e no ano seguinte ofereceram-lhe o seu primeiro papel como protagonista em Empezó en boda, de Raffaello Matarazzo. Efectivamente, trabalhou como actor até princípios dos anos quarenta para dedicar-se depois ao cinema, primeiro como actor (em sucessos como Balarrasa ou Botão de âncora) e como realizador mais tarde, sem descuidar a sua vocação de autor de teatro, encenador e escritor e argumentista assíduo da tertúlia do Café Gijón. A partir de 1984 transforma cada vez mais a sua intensa vocação literária em artigos muito pessoais em Diário 16 e o suplemento dominical do País, produzindo também vários volumes de ensaios e onze novelas, umas fortemente autobiográficas e outras históricas: El vendedor de naranjas, El viaje a ninguna parte, El mal amor, El mar y el tiempo, El ascensor de los borrachos, La Puerta del Sol, La cruz y el lirio dorado, etc. Foi um grande êxito a sua autobiografia em dois volumes, El tiempo amarillo, com duas edições, a segunda um pouco mais ampliada; mas talvez o sucesso mais clamoroso tenha sido obtido com uma peça teatral prontamente levada ao cinema, Las bicicletas son para el verano, sobre suas recordações infantis da Guerra Civil. Por sua mão o cinema entrou na Real Academia Espanhola, da qual foi eleito membro em 1998 e tomou posse do cadeirão B a 30 de Janeiro de 2000. Foi galardoado com o Prémio Príncipe das Astúrias das Artes no ano 1995. Polifacetado, querido e respeitado pelos profissionais da indústria e por várias gerações de espectadores, encontrou a popularidade como actor quase ao princípio de sua carreira cinematográfica com o clássico da comédia negra Domingo de carnaval (do célebre realizador Edgar Neville), que protagonizou junto a Conchita Montes em 1945 Na década de 1950, consolidou-se como actor principal numa série de comédias (El fenómeno), dramas (La gran mentira) e cinema religioso Balarrasa, Molokai, ou folclórico (Morena clara) propagandísticos ou directamente escapistas (o que em muitos sentidos também se considera propaganda para os historiadores), ao mesmo tempo em que intervém num dos primeiros ensaios do que depois virá a ser o «Novo cinema espanhol»: Esa pareja feliz de Bardem y Berlanga. Também há poucos anos participou em algumas co-produções de interesse como A La conciencia acusa (do genial Georg Wilhelm Pabst) ou El soltero (de Antonio Pietrangeli) junto a Alberto Sordi, e por último, iniciou uma incipiente carreira como realizador, com obras de encomenda com diferentes resultados: neste sentido, sobressai sua versão da novela de Wenceslao Fernández Flórez El malvado Carabe e duas excelentes comédias nas que compartilhou “química y cartel” com a deliciosa Analía Gadé, uma de suas parceiras mais recorrentes, como são La vida por delante e La vida alrededor. Em consonância com o cinema espanhol dos anos sessenta, a sua filmografía como actor e realizador encheu-se de comédias de todo tipo (La venganza de Don Mendo, Adiós, Mimí Pompón, Ninette y un señor de Murcia o Crimen imperfecto), com a excepção dos seus trabalhos de realização El mundo sigue (1963), um durísimo drama naturalista, inspirado na novela homónima de Juan Antonio Zunzunegui, onde se enfrentam duas irmãs de concepções de vida opostas em plena sociedade de pós-guerra espanhol, seu primeiro sucesso como realizador, e de seu filme El extraño viaje (1964), no qual retrata, com quase maior profundidade do que o próprio Berlanga, o clima opressivo da sociedade espanhola do Franquismo e que permanece como um dos pontos altos do cinema espanhol de todos os tempos; ambas as produções tiveram enormes confrontos com a censura. Além disso, é nesse momento que inicia uma relação profissional com outra de duas parceiras mais emblemáticas, Concha Velasco, com a comédia negra Crimen para recién casados. Nos anos setenta, Fernán Gómez converteu-se num dos actores mais solicitados da chamada Transição espanhola, com títulos dourados desses anos como El espíritu de la colmena, El amor del capitán Brando, Pim, pam, pum, fuego, Mi hija Hildegart, Los restos del naufragio, Mamá cumple cien años o ¡Arriba Azaña!. Com isso iniciou uma colaboração de êxito ao lado do notável realizador Jaime de Armiñán e também uma estreita relação profissional com Carlos Saura, ganhando com isso um justo prestígio como actor e realizador além do reconhecimento pela sua já longa trajectória. Em 1976 interveio num título de indubitável valor, não para o grande público, como El anacoreta, premiado no Festival de cinema de Berlim. Na década de 1990 inicia um período de menor actividade profissional devido a alguns problemas de saúde e seguramente, à falta de papéis de envergadura para um actor como ele. Salvo Belle Époque e o óscar conseguido como melhor filme estrangeiro, temos que esperar até 1998 para voltar a vê-lo em dois filmes tão diferentes como importantes, cada uma à sua maneira: El abuelo (nomeado para um óscar e grande sucesso de bilheteira) e Pepe Guindo (homenagem-ficção ao grande actor por parte de um realizador subvalorizado mas nada medíocre como Manuel Iborra). Entretanto, esteve várias temporadas na série de TV Los ladrones van a la oficina, que lhe devolveu a popularidade tal como a outros grandes nomes da interpretação como Agustín González, Manuel Alexandre ou José Luis López Vázquez. Depois podemos vê-lo em três grandes filmes (Todo sobre mi madre, Plenilunio e o êxito popular La lengua de las mariposas). Mais recentemente filmou Visionarios, de Gutiérrez Aragón; El embrujo de Shangai, com Fernando Trueba; Para que no me olvides, e a que provavelmente é a sua última grande interpretação na esplêndida En la ciudad sin límites, de Antonio Hernández.

/// Filmografia ///

Manicomio (co-realizador: Luis María Delgado) (1953);El mensaje (1953);El malvado Carabel (1955);La vida por delante (1958);La vida alrededor (1959); Sólo para hombres (1960);La venganza de Don Mendo (1961); El mundo sigue (1963); El extraño viaje (1964:); Los palomos (1964); Ninette y un señor de Murcia (1965); Mayores con reparos (1966); Cómo casarse en siete días (1970);Crimen imperfecto (1970); Juan Soldado (media-metragem TV) (1973); El pícaro (série TV) (1974); Yo la vi primero (1974); La querida (1975); Bruja, más que bruja (1976); Mi hija Hildegart (1977); Cinco tenedores (1979); Mambrú se fue a la guerra (1985); El viaje a ninguna parte (1986); El mar y el tiempo (1989); Fuera de juego (1991); Las mujeres de mi vida (episódio série TV "La mujer de tu vida") (1992); Siete mil días juntos (1994); Pesadilla para un rico (1996); Lázaro de Tormes (co-realizador: José L. García Sánchez) (2000)